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junho 6, 2014 Posted by GTA in Notícias da Rede GTA, Notícias na mídia

PLANTAS DA AMAZÔNIA COM PODER DE CURA PODERIAM ESTAR NO SUS

 “As plantas realmente curam, porque elas são medicamentos. Isso não é crendice”, afirma o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/ MCTI), Juan Revilla. Segundo o doutor Botânica Econômica, o Brasil tentou várias fazer o registro de plantas medicinais e dos medicamentos fitoterápicos para a Atenção Primária de Saúde, mas as tentativas esbarraram na “desculpa” de que não se detinha a ética, a toxidade e a eficácia dos fitoterápicos e isso teve mais peso do que o saber tradicional.  

O assunto foi discutido durante a realização do projeto “Farmácia Viva” no município de Manaquiri (a 50 quilômetros de Manaus). Revilla, que é coordenador científico do evento, informou que a Amazônia possui inúmeras plantas que curam e que poderiam ser vendidas para o mundo “faltando apenas a vontade política de fazer”. “A Amazônia possui cerca de 30 mil plantas conhecidas, sendo que dessas somente 5 mil se conhecem o seu uso”, revelou. 

O projeto “Farmácia Viva” é uma estratégia que visa incentivar as comunidades de Manaquiri a terem plantas medicinais nos seus quintais a partir de mudas produzidas no viveiro do Centro de Treinamento de Produtores Rurais do município. O viveiro existe desde 2006 e conta com 120 espécies de plantas e mais de 50 mil mudas produzidas numa área de 150 hectares (equivalente a 150 campos de futebol). 

Há 15 anos Revilla é representante da região Norte junto ao Ministério da Saúde para a discussão da inclusão de plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos no Sistema Único de Saúde (SUS) para a Atenção Básica. Segundo o pesquisador, em 2006, depois de várias rodadas de discussões e, por sugestão dele, foi aprovada uma resolução pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), onde se recomenda que Estados e municípios façam inventários, criem grupos de trabalhos, estudem sua flora local para incentivar o uso das plantas medicinais e desenvolvam produtos fitoterápicos regionais. O pesquisador lamenta que Manaquiri nada fez depois que a resolução foi assinada. 

O pesquisador afirma que Manaquiri poderia tratar aproximadamente 95% dos doentes que procuram o SUS com plantas medicinais sem ter que utilizar os medicamentos convencionais. “O ideal seria ter uma farmácia de dispensação, onde os remédios medicinais estivessem disponíveis a todos”, reforça Revilla. Segundo o pesquisador, os benefícios do uso da “Farmácia Viva” é que esses medicamentos não têm efeito colateral e o custo é bem menor. Porém, é preciso ter a orientação adequada no uso das ervas e plantas. 

De acordo com o pesquisador, a unha de gato é a única planta amazônica que tem registro na Anvisa, cuja lista é composta por 78 plantas que não são brasileiras, como o eucalipto e a alcachofra. E ele se pergunta onde está a nossa biodiversidade. 

O projeto “Farmácia Viva” é uma parceria entre o Inpa e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), por meio da coordenação do curso de Bacharelado em Saúde Coletiva, do núcleo do Careiro. O evento reuniu acadêmicos de diversos municípios, profissionais de Saúde e pesquisadores com o objetivo de promover o conhecimento e práticas no contexto da saúde. 

Potenciais das Fruteiras 

“As pessoas bem alimentadas e consumindo frutas dificilmente ficarão doentes, além disso têm mais resistência a qualquer tipo de doença”, afirma o pesquisador do Inpa Kaoru Yuyama, doutor em agronomia, durante palestra sobre fruteiras e algumas espécies com potencial econômico da Amazônia. Segundo ele, alguns frutos da Amazônia se destacam, como o camu camu, rico em vitamina C; e a pupunha, o tucumã e o mari com alto valor de vitamina A.  

O pesquisador falou ainda das potencialidades de frutas que foram introduzidas na Amazônia, mas que são consumidas e apreciadas pela população, como o ranbuntã, jambo vermelho, jaca e abricó. Também comentou sobre as frutas que a maioria das pessoas não conhece como o puxuri, que é um excelente remédio para diarreia e cólicas intestinais. A amêndoa dessa fruta custa 80 dólares o quilo sendo que suas folhas também podem ser consumidas. 

Outra fruta pouco conhecida pelas pessoas, o mapati ou uva da Amazônia, é um fruta endêmica da região com incidência em Tabatinga e São Gabriel da Cachoeira. Essa fruta pode ser consumida in natura pois é bastante suculenta e doce. 

Outro pesquisador que também participou do “Farmácia Verde” com a palestra “Fruteiras da Amazônia – potencial nutricional”, Jaime Aguiar, abordou o potencial nutricional de 30 frutos amazônicos e o trabalho desenvolvido no Laboratório de Físico-Química de Alimento (LFQA/Inpa) com frutos liofilizados, técnica de desidratação de alimentos transformados em pó e mantendo as características dos frutos, como a pupunha, tucumã, açaí e cubiu.  

Para o pesquisador Jaime Aguiar, especialista em nutrição e Ciências dos Alimentos que trabalha especificamente com a elaboração de tabela de composição nutricional dos frutos, e as fruteiras da Amazônia são altamente promissoras com fonte abundante de vitaminas, minerais e fibra. Uma dessas, é o camu camu que, segundo ele, é mais conhecido no exterior do que no Brasil.  

Saúde Coletiva 

Segundo o professor da UEA, Wilson Carvalho, o curso de bacharelado em Saúde Coletiva foi iniciado a partir do curso de pós-graduação em medicina. Foi implantado pela UEA, em 2012, com o objetivo de formar gestores de saúde. É um curso semipresencial mediado por tecnologia (via satélite) e está presente em 18 municípios do Amazonas. Em 2016, será formada a primeira turma do curso com 22 alunos. 

Para a acadêmica Aline Gadelha o “Farmácia Viva” preenche uma lacuna. “Queremos organizar o SUS tirando o excesso das Unidades de Saúde ensinando os moradores do Careiro e de Manaquiri que eles podem ter horta em sua casa e curar até 30% das doenças que acometem a família. Queremos transformar a saúde trazendo qualidade de vida para a população”, disse. 

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