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agosto 31, 2015 Posted by GTA in Notícias da Rede GTA

A Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique, em parceria com a Rede GTA, promove oficinas de capacitação para produtores

Por Bianca Andrade

As capacitações iniciaram no dia 19 de agosto. São gratuitas e vão contemplar 36 comunidades tradicionais e duas localidades do arquipélago do Bailique.

Produtores do Bailique recebem oficinas de capacitação a partir de agosto deste ano. O projeto é de iniciativa da ACTB – Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique, abrangendo os seus cinco grupos de trabalho: Agroextrativismo e Produção, Conhecimento Tradicional, Questão Fundiária, Juventude e Meio Ambiente, em parceria com a Rede GTA – Grupo de Trabalho Amazônico.

Os calendários de atividades foram elaborados pelos próprios grupos de trabalhos, através de uma reunião de planejamento, ocorrida no dia 16 de Agosto na sede da ACTB - Vila Progresso. O programa decorreu do Protocolo Comunitário, ferramenta que objetiva proteger os conhecimentos tradicionais associados ao patrimônio genético da região.

De acordo com Geová Alves, presidente da ACTB, trata-se de um Plano de Gestão Territorial e Ambiental para a justiça social, e pretende capacitar produtores comerciais de 36 comunidades e 2 localidades do Bailique e promover o desenvolvimento da região com responsabilidade socioambiental.

“Os produtores têm como responsabilidade serem multiplicadores do conhecimento adquirido para os demais comunitários”, afirma Geová.

Para auxiliar as atividades de educação, a Rede GTA adquiriu um barco-escola e uma lancha, e ao final do projeto fará doação dos bens à Associação.

Rubens Gomes, presidente do GTA, ressalta que o barco-escola e a lancha vão contribuir para realização das aulas e o deslocamento das comunidades, bem como o escoamento da produção de açaí para outras localidades.

“Sem acesso às políticas públicas as comunidades do Bailique ficam invisíveis. Os produtores precisam inverter o papel de dependência e se tornarem protagonistas. Melhorar as produções e comercializações de seus produtos, com consciência de desenvolvimento sustentável”, destaca Rubens.

O projeto também conta com o apoio do Fundo Vale e a Natura, e em parceria com Regional Amapá GTA, Instituto Estadual de Florestas, Colonia de Pescadores Z 5, Conselho Comunitário do Bailique (CCB) e parceria institucional com a OELA – Oficina Escola de Lutheria da Amazônia, EMBRAPA-AP e um  ACT com o Ministério do Meio Ambiente (DPG/SBF).

As capacitações iniciaram com a Oficina de Boas Práticas do Manejo de Açaizais, ministrada pelo engenheiro florestal Amiraldo Picanço, nos dias 19 e 20 de agosto, na comunidade do Livramento, com a participação de 15 produtores.

As aulas tiveram dinâmicas teóricas, realizadas em um barco-escola fretado, e práticas, em áreas de plantio.

Em virtude das condições geográficas, como dependência de marés, os alunos recebem a logística necessária para permanência, como lanches e almoços. Também são disponibilizados materiais de segurança como botas, luvas, capacetes, terçados, machados.

As orientações partem desde o auxílio aos produtores quanto aos perigos químicos, físicos e biológicos do manejo, com ênfase na doença de chagas, políticas públicas e legislação, instruções básicas de coleta e comercialização, técnicas de boas práticas, desbaste, plantio, com ênfase no ecossistema e equilíbrio para o manejo, respeitando a natureza.

A escolha deste primeiro momento foi resultado de discussões acerca da importância da exploração do açaí como atividade de maior produtividade da região, realizadas nos chamados ‘Encontrões’, oportunidade em que os envolvidos nesta iniciativa debatem coletivamente assuntos relacionados ao seu Protocolo.

Para o líder comunitário Alcindo Farias, as oficinas trarão mais aprendizados e benefícios.

“Estas oficinas estão diferentes de outras que ocorreram. Anteriormente, não havia divulgação para todas as comunidades, poucos participavam, e agora várias estão envolvidas”, comentou Alcindo.

ACTB

A Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique foi fundada em 27 de fevereiro de 2015 pelas lideranças comunitárias. É uma instituição independente, sem partidarismo político, influência governamental ou fins particulares, e executa suas demandas com apoio dos parceiros.

Programação

Oficina Boas Práticas de Manejo de Açaizais

Agosto

De 19 a 22 - Livramento

De 26 a 29 - Ponta do Curuá

Setembro

16 A 10 - Jaburu Grande

23 a 26 - São Pedro do Bailique

Outubro

21 a 24 - Arraiol

28 a 31 - Carneiro

Novembro

18 a 21 Igarapé do Meio

25 a 28 - Jangada

Oficina de Meliponicultura: As aulas de manejo de mel de abelhas sem ferrão iniciam no mês de setembro e seguem até outubro. A estratégia da introdução da Meliponicultura nos açaizais visa o aumento da produção do açaí e do mel.

Oficina de Artesanato: 04 e 05 de Setembro - Foz do Gurijuba

Oficina de Extração de Óleos de Andiroba: 04 e 05 de Março de 2016.

As oficinas são gratuitas para as famílias envolvidas no Protocolo Comunitario do Bailique e os interessados em participar devem procurar a ACTB, no horário de 8h às 12h e de 14h às 18h, munidos de carteira de identidade e CPF.

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