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março 9, 2012 Posted by GTA in Notícias da Rede GTA

Extrativistas assassinados são homenageados no encerramento do ano internacional das florestas

Laíssa Santos Sampaio, irmã de Maria do Espírito Santo, liderança assassinada em 2011,  recebe homenagem da ONU

"A vida do castanheiro é a vida da castanheira. A floresta Amazônica é viva. Viva de gente. A Floresta e os povos da Floresta estão sendo mortos” - Laíssa Santos Sampaio, irmã de Maria do Espírito Santo, foi homenageada em nome do casal assassinado.

Em 97, quando iniciou a discussão de implantação do projeto de assentamento agroextrativista Maria do Espírito Santo e José Cláudio Ribeiro começaram a participar dos debates e entrou fundo na luta em defesa da floresta e dos povos. No entanto, foi essa mesma luta que tirou a suas vidas em 2011.

Em reconhecimento ao casal de extrativistas a Organização das Nações Unidas celebrou o encerramento do Ano Internacional das Florestas com uma homenagem pela grande contribuição para proteger as florestas e as comunidades que nelas vivem.

Laísa Sampaio, irmã de Maria do Espírito Santo, recebeu o prêmio ontem (09), em Nova York. Em seu discurso Laísa afirma que a “Amazônia é manchada de sangue. E essa mancha continua se espalhando, mas nossa situação torna-se cada vez mais grave porque o Novo Código Florestal Brasileiro votado pela Câmara dos Deputados não favorece o povo que vive e defende a floresta”. Para ela “faltam políticas públicas de apoio para pessoas como nós que vivem e sabem produzir respeitando a natureza”. Confira o discurso da Laísa abaixo:

Discurso Laísa Santos Sampaio ONU

9 de fevereiro de 2012

Eu estou aqui porque assassinaram minha irmã Maria e meu cunhado José Cláudio. Isso porque eles defendiam a floresta e a vida na floresta.

Na Amazônia tem se intensificado casos de assassinatos de pessoas que como eles defendem a vida na floresta. A Amazônia é manchada de sangue. E essa mancha continua se espalhando.

Nossa situação torna-se cada vez mais grave porque o Novo Código Florestal Brasileiro votado pela Câmara dos Deputados não favorece o povo que vive e defende a floresta. Essa mesma Câmara que vaiou no momento em que foi anunciado o assassinato de Maria e José Cláudio.

A presidenta Dilma não deve aprovar essa lei, pois por baixo do desmatamento há muita gente sendo morta.

Maria e José Cláudio não só defendiam a floresta, mas mostraram na prática como viviam dignamente da floresta, respeitando a dinâmica e todas as espécies existentes. E sobre essa vida na floresta eles deram exemplos: Na educação, ensinando as crianças de que se pode ganhar mais com a floresta do que vendendo ou queimando ela. Deram exemplo prático em suas vidas. Não é utopia.

Faltam políticas públicas de apoio para pessoas como nós que vivem e sabem produzir respeitando a natureza. E isso é rentável, mas falta incentivo para esse povo. Incentivo só há para a criação do gado e para a retirada da floresta e esses grandes projetos para a Amazônia como as usinas hidrelétricas.

Lá só deixam o estrago e o dinheiro vai para a mão dos poderosos. Gera tantos impactos ambientais quanto impactos sociais. Quantas populações tradicionais deixaram de existir? E vão viver a vida na cidade, onde sua vida é destruída.

O protetor da natureza é quem vive no meio dela. A vida das pessoas que vivem na Amazônia precisam ser salvas. E a situação é urgente! A vida do castanheiro é a vida da castanheira. A floresta Amazônica é viva. Viva de gente. A Floresta e os povos da Floresta estão sendo mortos.

Fonte: Assessoria de Comunicação - Rede GTA

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