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agosto 11, 2014 Posted by GTA in Notícias da Rede GTA, Notícias na mídia

FÓRUM SOCIAL TEMÁTICO SOBRE ENERGIA EM BRASÍLIA

Entre os dias 07 e 10.08, Brasília recebeu o ‘Fórum Social Temático sobre Energia (FST-Energia)’ com diversas organizações e entidades preocupadas com o futuro energético do país e do mundo.

Durante estes quatro dias foram expostas e analisadas diferentes visões, experiências, problemas e possíveis soluções tentando responder a seguinte pergunta: “Energia: para quê, para quem e como?”.

Balão FST-EnergiaA abertura do FST-Energia (7.08) ocorreu no gramado do Congresso Nacional, onde os participantes podiam subir no balão do evento.

Nos dois dias seguintes (8 e 9.08) as atividades seguiram na Universidade de Brasília (UnB) com rodas de conversa, debates, palestras e apresentações. Para animar as atividades vários grupos culturais se apresentaram nos locais do evento, e além do gramado do Congresso Nacional e a UnB, o Parque da Cidade, foi o palco do encerramento do evento.

Cerca de 40 Fóruns Sociais Nacionais, Regionais ou Temáticos serviram de desdobramentos para o aprofundamento das discussões em torno das diferentes dimensões da energia, como: Empreendimentos energéticos; Transporte; Fontes alternativas de energia renovável; Diversificação da matriz energética; Energia nuclear; Resistência dos atingidos aos projetos hidrelétricos; entre outros. A temática também esteve diretamente voltada ao enfrentamento das mudanças climáticas. Todas as atividades realizadas foram elaboradas pelas próprias organizações participantes seguindo a mesma metodologia do Fórum Social Mundial (FSM).

O FST-Energia trouxe para o debate temas dos mais diversos que estão diretamente relacionados ao nosso modo de vida. A construção de grandes hidrelétricas e de usinas nucleares, assim como o uso de termelétricas com combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão, atendem mais às necessidades da mineração e da indústria que da população. Ao mesmo tempo é lenta a adoção de fontes limpas, ecológica e socialmente sustentáveis, como a busca de eficiência na utilização da energia elétrica produzida e a descentralização dessa produção, valorizando as fontes disponíveis em cada localidade e a participação das famílias, comunidades e povos. 

Fórum Social Temático Energia

Fórum Social Temático Energia

Pensar nos desafios ligados à energia significa interligar os diferentes aspectos de vida social. O modelo de desenvolvimento energético brasileiro não representa várias camadas da sociedade, que não incentiva a diversificação da matriz energética do país. Durante o Fórum especialistas mostraram que 80% da geração elétrica no país provem de hidroelétricas e 20% via termoelétricas. Ambas formas de geração são centralizadas através de gigantescas centrais, sendo necessário encaminhar esta energia através das linhas de transmissão até os centros consumidores. As atividades comprovaram que a energia no Brasil virou uma mera mercadoria.

Segundo Ricardo Baitello do Greenpeace, desenvolver um modelo energético sustentável e limpo com as energias renováveis, requer quatro pilares importantes, tais quais: 1. Elaboração de Políticas públicas adequadas às energias renováveis: 2. Fontes diferentes de financiamento e investidores; 3. Fornecimento de informação para toda a população e; 4. Foco na qualificação de mão de obra para operar o sistema das energias renováveis.

Ricardo Abramovay, professor de Economia da FEA e do Instituto de Relações Internacionais da USP, defende um modelo onde deixamos somente de consumir a nossa energia e passamos a produzi-la também.

“Temos que olhar para a descentralização para democratizar o acesso à energia. Descentralizar a energia é descentralizar o poder. Envolver a sociedade civil nas tomadas de decisão e colocá-la como produtora da sua própria energia.”, afirma o professor.

Além de aprofundar a democracia em nosso país, a população irá 'reaprender' a consumir, evitando o desperdício, uma vez que o consumo se dá no espaço da produção.

A sociedade civil, principalmente os mais atingidos pelos impactos ambientais causados pelo setor energético, estiveram em peso no FST-Energia. Foram relatadas diversas experiências dentre os vários seguimentos das comunidades tradicionais (ribeirinhos, quilombolas, extrativistas, indígenas etc.). Os relatos englobavam não só os efeitos causados pelos recursos energéticos provenientes dos minerais fósseis (petróleo e carvão), assim como pelas energias limpas, como as barragens hidrelétricas e as energias renováveis (eólica e solar). Dentre os principais impactos destacam-se: 

Atividade no grupo: Atingidos por barragens

- A grilagem das terras com a ajuda do Estado;

- O desmatamento da vegetação costeira e ribeirinha;

- A proibição do acesso das comunidades em seu próprio território;

- A mudança no modo de vida das comunidades;

- A poluição dos lençóis freáticos influenciando diretamente à agricultura das comunidades;

- A privatização dos territórios nacionais.

As lideranças presentes afirmavam que não são contra o desenvolvimento energético no país, mas sim a forma predatória e capitalista como entram nos territórios das comunidades. Na maioria das vezes sem consulta pública e sem consentimento dos moradores, infringindo as normas impostas pelas leis e violando diversos direitos humanos dos moradores.

Foi lançada a Campanha nacional ‘Energia para a Vida’ para promover um sistema energético amigo do meio ambiente e justo com a sociedade. A atividade teve como objetivo apresentar as diversas ferramentas desenvolvidas pela campanha, afim de instigar a reflexão sobre novas formas de pensarmos a política energética brasileira.

Candidatos e representantes da campanha presidencial 2014 estiveram presentes no FST-Energia. Eles participaram da atividade com a sociedade civil para debater suas propostas de políticas energéticas, além de responderem às perguntas feitas pelos participantes.

Candidatos à presidência 2014

Candidatos à presidência 2014

O FST-Energia mostrou durante os quatro dias a enorme importância do diálogo entre todas as partes envolvidas e que juntos podemos contribuir para a redefinição das políticas públicas energéticas brasileiras e mundiais. Ainda é possível buscar e integrar outras fontes de energia, menos nocivas ao ambiente e à humanidade. Sem contar que estaremos enfrentando o desequilíbrio provocado pelo aquecimento global e abrandando as mudanças climáticas. 

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