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abril 11, 2012 Posted by GTA in Notícias da Rede GTA

NOTA DE REPÚDIO - Assassinato de Dinhana Nink

Dinhana Nink, mãe de 3 filhos, foi assassinada dentro de casa em frente do filho de 5 anos.

O GTA repudia os fatos e continua se perguntando até quando mortes assim acontecerão não só na floresta amazônica, mas com todos àqueles que defendem e precisam das florestas para sobreviver.

Dinhana Nink, 28 anos e três filhos. Um com cinco anos de idade. Ela é a mais recente vítima oriunda da omissão das autoridades frente às barbáries que acontecem frequentemente na região amazônica por disputa de terras. O lamentável fato se deu no último dia do mês de março. Dinhana acabara de colocar seu filho para dormir quando um homem invadiu sua casa e, na frente da criança, disparou um tiro de espingarda em seu peito. Foi para matar. Mais uma vez, como sempre, para matar.

Segundo Francisneide Lourenço, coordenadora da Comissão Pastoral da Terra do Amazonas (CPT), Dinhana era dona de uma mercearia e já vinha sofrendo ameaças dos madeireiros que frequentavam seu estabelecimento.

Em novembro de 2011, devido ao movimento de apoio que fazia àqueles que denunciavam o esquema de grilagens de terras, sobretudo a amiga e líder rural Nilcilene Miguel de Lima, sofreu agressões físicas e o caso foi parar na Delegacia da cidade de Extrema, em Porto Velho. Nesse período Dinhana vivia na área de um Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) do INCRA e, mesmo com boletim de ocorrência feito anteriormente, os agressores atearam fogo em sua casa como forma de intimidação. Sua amiga Nilcilene hoje tem escolta da Força Nacional e há rumores que alguns grileiros da região estão tentando manter distante dela essa segurança. Alguns deixaram suas casas por medo.

Em entrevista cedida em janeiro ao Blog A Pública, Dinhana relatou, sem medo de esconder o rosto, as ameaças que vinha sofrendo desde quando denunciou um homem integrante de uma quadrilha de pistoleiros. Mais uma vez de nada adiantou. Autoridades cientes, boletins lavrados e a bala foi lançada.

No meio do ano passado a Rede GTA alertou sobre a sequência de assassinatos no estado. Na ocasião, num período de 10 dias, 5 lideranças foram assassinadas de forma brutal. Embora a justiça atue de forma excessivamente lenta, tudo leva a crer que Marcos Gomes da Silva, Adelino Ramos (também conhecido como Dinho), Eremilton Pereira dos Santos e o casal Maria do Espírito Santo e José Cláudio Ribeiro (Zé Castanha), foram executados com a mesma finalidade: calar uma voz que apela para que o desenvolvimento desenfreado na região atente para seus impactos nas florestas. Obede Loyla Souza também compõe a lista dos que foram cruelmente assassinados. Foi no mesmo período que o Grupo de Trabalho Amazônico levou Almir Surui, liderança do povo Surui, à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDHPR) em reunião com o diretor da entidade, Fernando Matos, para expor os apuros que vinha passando dentro de sua própria aldeia. Todas estas pessoas têm algo em comum: defender a floresta em pé. Defender o que lhe é de direito. Não só seu, mas de toda uma nação.

O diretor da Secretaria de Direitos Humanos afirmou que tomaria as medidas cabíveis e hoje, mesmo passado quase um ano, nada e nenhuma postura foi tomada por parte da Secretaria. O GTA repudia os fatos e continua se perguntando até quando mortes assim acontecerão não só na floresta amazônica, mas com todos àqueles que defendem e precisam das florestas para sobreviver.

Continua não entendendo como as autoridades mantém a mesma postura e discurso enquanto cada vez mais famílias vão sendo dizimadas e banhadas de sangue, suor e luta por aquilo que lhe é de direito.

Até quando teremos um país que se faz de surdo, cego e desentendido enquanto é ceifada a vida de dezenas de pais e mães de família que batalham para manter as florestas em pé? Quem será o próximo?

Façam suas apostas.

Assessoria de Comunicação – Rede GTA
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