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janeiro 22, 2015 Posted by GTA in Notícias da Rede GTA, Protocolo Comunitário

Oficina do Grupo de Conhecimento Tradicional

O encontro do Grupo de Conhecimento Tradicional aconteceu nos dias 16 e 17 de janeiro de 2015 no centro comunitário da Comunidade do Livramento.

No primeiro dia, a oficina foi iniciada às 9h com a presença de 46 participantes, entre equipe, parteiras, benzedeiras, lideranças comunitárias e os jovens das comunidades. A liderança da comunidade Sr. João (Cobra) deu as boas vindas aos participantes, seguida da oração. Após a apresentação dos presentes, representados pelas mulheres em sua maioria, Rubens Gomes coordenador do projeto Protocolo Comunitário do Bailique, iniciou os acordos de convivência para os dois dias de oficina.

Rubens Gomes fez uma fala sobre o GTA, sobre o Protocolo Comunitário do Bailique e Geová Alves, articulador de campo do projeto apresentou a nova formação do Comitê Gestor do Protocolo Comunitário.

A oficina foi ministrada pela Dra. Patrícia Calligioni de Mendonça que iniciou com a informação sobre as diversas formas de guardar o conhecimento para introduzir a ideia da Farmacopéia. Foi colocado na plenária a proposta de iniciar o registro das plantas para fazer a Farmacopéia, o grupo presente concordou com a proposta.

A Dra. Patrícia convidou as participantes a fazer uma coleta de plantas na horta de plantas medicinais da Zete (Elizeth Sarges) e foi levado um diversidade grande de plantas para o centro comunitário da comunidade.

Elizaeth Sarges conta o contexto histórico do grupo de conhecimento tradicional e como foi feito o trabalho de levantamento das informações sobre as plantas e construção da horta medicinal.

A Dra. Patrícia usou as plantas coletadas para ensinar técnicas de secagem (varal e com a peneira) sem que elas percam as propriedades medicinais, reforçando que  a identificação da planta e a data de coleta são informações importantes lembrando que a planta seca pode ser bem diferente da plana fresca. Informou sobre a importância de suspender as hortas por causa do encharcamento e para evitar contaminação com esgoto e  venenos  usados no solo entre outros fatos. Reforçou que o sombreamento na horta é um fator importante para o desenvolvimento das plantas e que ele poderia ser feito com palha do Buriti, Buçu, Urucuri, entre outras.

Rubens Gomes aproveita a oportunidade para comentar que no próximo encontrão do Protocolo Comunitário estarão presente 2 agrônomos e 1 engenheiro florestal e que essas informações sobre hortas pode ser demandado para seja falado por esses especialistas.

Outro tema importante abordado na oficina estava relacionado com o armazenamento e conservação das plantas medicinais, exemplo um chá tem validade de 12 h e se estiver na geladeira pode durar até 24h, outro exemplo são as plantas secas que possuem validade de 6 meses.

Esses temas surgiram de uma demanda na oficina realizada na comunidade do Arraiol em outubro de 2014. A Dra. Patrícia passou informações sobre a dosagem e sobre as formas de preparo das plantas, pois usar uma planta de forma indevida pode ser muito prejudicial a saúde. Sendo assim, não é recomendável usar a mesma planta medicinal por mais de 3 meses.

Durante o dia tiveram algumas intervenções para animar o dia, uma dinâmica proposta pelo David Berziganian (visitante), os versos da Dona Osória, uma senhora de 88 anos que conversa em poesia e uma música que a Dona Antônia apresentou.

O segundo dia iniciou às 9h com a oração das duas religiões presentes, foi cantado o brega ecológico disponível no livro Frutíferas e Plantas Úteis na Vida Amazônica.

A Dra. Patrícia deu continuidade as formas de preparo dos remédios com plantas medicinais e convidou o grupo a visitar a mesa de produtos feitos com recursos da biodiversidade para servir de exemplo de algumas possibilidades que poderiam ser feitas por elas para gerar renda e para que possam usar nas suas casas. Essa mesa foi compostas por produtos usados pela equipe e por produtos que as participantes levaram como paçoca de gergelim, doces de cupuaçu, graviola, maxixe, cremes hidratantes de buriti e outros, garrafadas, colares de sementes, óleo de coco, andiroba e pracaxi.

Rubens Gomes, coordenador do projeto Protocolo Comunitário, informou que o GTA pode oferecer assistência técnica, jurídica e econômica para pensar nesses potenciais econômicos vindos da biodiversidade.

Nesse momento foi proposto ao grupo pensar um grupo de trabalho do conhecimento tradicional (GTCT) para ajudar nas ações de elaboração da Farmacopéia. Deste modo foi formado grupo de Trabalho provisório:

Representante - Elizeth Sarges da Silva

1ª secretária – Paloma dos Santos Araújo

2ª secretária – Carla Caroline dos Santos Marques

Suplente – Raimunda Cordeiro Lopes

Grupo de apio ao GTCT:

Parteiras – Maria Esmeralda Dias Moraes Marques, Jumara da Silva Teixeira

Mobilizadoras – Valdirene Mota Rocha, Elda castro Costa, Odaiza Tavares dos Santos, Guimar Sarges da Silva, Katiane lopes dos Santos.

Durante o almoço a equipe aplicou os questionários para complementar o levantamento anterior das plantas medicinais utilizadas e também aplicar um novo questionário de potenciais econômicos para identificar o que elas produzem que poderia gerar renda.

A seguir o grupo foi dividido em 5 grupos para fazer o trabalho de prensa com as pranchas, então foram até a horta de Elizeth, um representante de cada grupo para colher uma planta com flor e uma planta sem flor. A Dra. Patrícia explicou como fazer a prensa e deixou o material para os grupos fazerem a coleta das 10 plantas medicinais e apresentar as pranchas na próxima oficina que será realizada no começo de fevereiro com o Thiago.

Rubens Gomes conduz para o encerramento da oficina com os próximos passos apresentando os encaminhamentos decididos no dia anterior de fazer a farmacopeia e a farmácia viva, os dois formam consenso no grupo. O grupo autorizou a elaboração de um projeto de captação para as atividades do GTCT que não estão previstas no atual projeto.

Para o local da próxima oficina fica a consulta das comunidades de Nossa Senhora Aparecida e e São João Batista.  Um importante resultado dessa oficina foi a grande participação dos jovens e troca de conhecimentos proporcionado pela oficina.

Relatora: Mariana B. C. Chaubet

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